Demorou mas saiu, já passaram 3 semanas e só agora consegui publicar esse post. Após a corrida em Paris, passei alguns dias em Londres e, de volta ao Brasil, fiz duas viagens a Brasilia, de onde cheguei sexta-feira.
A Meia Maratona de Paris foi a corrida de melhor organização que eu já participei, não posso dizer que foi a minha melhor corrida por estar sem meu condicionamento ideal, melhor dizendo, meu condicionamento está a anos-luz do ideal.
Vamos à análise:
Pré corrida: a inscrição foi feita pela Internet, com a necessidade do envio de atestado médico pelo correio ou sua apresentação no momento de entrega do kit. As inscrições foram encerradas vários meses antes da corrida. A entrega do kit, realizada na sexta e no sábado anteriores à corrida, foi bem organizada, sem filas e com uma boa quantidade de stands de produtos esportivos. O kit foi bem simples, com um destaque para o chip, anexado ao número de peito, e além disso, apenas o trivial das corridas que temos por aqui.
Concentração: a manhã de domingo começou muito fria, entre 6 e 8ºC, a corrida começaria às 10h00, permitindo que eu acordasse um pouco mais tarde, o plano era chegar ao local de largada por volta das 9 horas. E assim foi, cheguei com bastante tempo para entender como a largada seria e me preparar para a corrida. O guarda-volumes tinha uma grande estrutura, com 26 boxes (identificados por letras) recebendo nossos pertences, sem que houvesse uma separação por número de peito; podíamos escolher o box com menos fila e lá deixar, recebi uma pulseira com a identificação do box e um número atribuído à minha sacola. O local da concentração, entre o Castelo de Vincennes e a entrada do Parc du Floral, era bem ampla permitindo uma boa distribuição das estruturas de suporte à corrida.
Largada: eu não posso dizer se havia ou não pipoca nessa corrida, mas uma coisa eu posso afirmar: pelo pórtico de largada passaram apenas os atletas inscritos. Explico: a área da largada estava toda delimitada por cercas de 2 metros de altura e com staffs cuidando para que ninguém invadisse. Essa área estava dividida em 5 partes, a primeira, dedicada à elite e aos corredores com tempo inferior a 1h30, começava no pórtico de largada, em outras partes, igualmente separadas por grades, ficavam os grupos de 1h40, ah50, 2h00 e acima de 2h00. A identificação do grupo se dava por uma pulseira e por uma faixa colorida no número de peito. Ao ser dada a largada, o primeiro grupo iniciou sua corrida, enquanto os demais aguardavam. Após o último corredor deste primeiro grupo sair, o segundo grupo era conduzido pelos staffs, utilizando uma fita, para o pórtico de largada, onde se esperava até que o grupo anterior estivesse a cerca de 300 metros da largada. Então o grupo era liberado. E isso foi feito para todos os grupos, sem tumulto. O meu grupo, de 2h00 demorou cerca de 25 minutos para começar a corrida. Eu achei muito boa essa organização, diminui o tumulto na largada, permitindo que todos pudessem imprimir um ritmo bom desde a largada. Só pra ter uma idéia, a largada de quase 25.000 corredores foi mais tranquila que a da Corrida da Unimed do ano passado, que não tinha mais de 1.000 atletas.
Percurso: os primeiros 5 km foram corridos entre o Parc du Floral, um belo parque que, na primavera, deve ser muito bonito, mas com o estava muito frio, as árvores estava secas e as flores nem estavam lá, e o Bois de Vincennes, um grande bosque dos arredores de Paris. Neste trecho da corrida, sem casas e pouca gente assistindo, vi muitos corredores se aliviarem nas árvores às margens da pista, mas não só homens, vi muitas corredoras abaixarem as calças e se aliviarem por ali, sem se preocupar em se esconder. Eu nunca tinha visto isso. O percurso foi bem plano, com poucas subidas, e passando por alguns pontos interessantes, como a Bastilha, as margens do Rio Sena, Hotel DeVille e Jardim Zoológico. Apesar do frio, muita gente acompanhou as corridas, aplaudindo e incentivando. O destaque do percurso, eu achei, foi a trilha sonora variada. Em vários pontos da corrida, bandas dos mais variados estilos musicais como rock, jazz, soul, blues, batucada e até musica de circo, além de uma banda militar, bom demais.
Hidratação: os postos de hidratação, diferente das corridas no Brasil, estavam posicionados a cada 5 Km. Além da água, ainda serviam bananas e laranjas, o que é interessante, mas deixa a pista mais suja e escorregadia, com as cascas deixadas pelos corredores. As lixeiras espalhadas pelo percurso não pareciam comodas para os corredores, mas nelas havia uma coisa interessante: acima das lixeiras haviam umas estruturas parecidas com as tabelas das cestas de basquete, o que ajudava os corredores a acertarem o alvo ao arremessarem as garrafinhas de água. No quilômetro 15 havia um posto de isotônico Powerade. Ao fim da corrida, muita fruta, água e isotônico a vontade.
Fotos e videos: usualmente não comento esse aspecto da corrida, mas esta corrida merece. No trecho final da corrida, onde os atletas estão mais dispersos, 4 grupos de 3 fotógrafos, postados no meio da pista, devidamente identificados, fotografavam todos os atletas e, como todos sabiam que estavam sendo fotografados, tinham a chance de tirar a cara de sofrimento e cansaço e ensaiar um sorriso, ou mesmo ajeitar a postura, para siar mais bonito na foto. A foto que ilustra este post é um exemplo, não deu pra ficar muito bonito pois a roupa não ajudou. A cada 5 quilômetros, próximo aos postos de hidratação, havia um portal e tapetes de cronometragem, junto a eles filmadoras de alta resolução registraram toda a corrida, depois, com base no momento em que você passou por cada ponto, os vídeos ficam disponíveis, ao custo de 5 euros, para download.
Pós prova: A chegada fechou a corrida com o mesmo nível de organização, logo após o pórtico, cada atleta recebia um poncho de plástico da Adidas para se proteger do frio. Pouco depois a medalha, pequena mas bonita, era entregue ao atleta, nada de papelzinho para troca, valia o seu número no peito. Frutas, água e isotônico a vontade e um certo tumulto na área de dispersão, que também era fechada como a largada, mas nada que desagradasse ou apagasse o brilho da corrida. Saindo dali, os guarda volumes sem fila, facilitavam o recolhimento dos pertences e a volta pra casa, no meu caso para o hotel.
Minha corrida: eu havia planejado fazer essa meia-maratona em menos de 2 horas, pois o clima frio ajudaria e, considerando que a meia maratona da Asics em Brasilia, em 06/11, terminei apenas 11 segundos acima de 2 horas. Mas aí veio a internação e outros probleminhas médicos que tiraram dos treinos e de algumas corridas e acabei passando muito tempo sem treinar e, ao retomar, não consegui fazer treinos longos. O resultado não poderia ser diferente, terminei a corrida em mais de 2h30, não consegui correr todo o percurso, até completar 5 quilômetros eu corri num ritmo adequado, mas a partir daí não consegui manter o ritmo e comecei a caminhar em alguns trechos, próximo ao quilômetro 12 comecei a sentir uma dorzinha de cabeça, que já tinha sentido em alguns treinos mais longos, isso também atrapalhou um pouco. Assim fui até próximo do fim, quando vi os fotógrafos, me aprumei e voltei a correr direito até o final. Nem vou dizer minha classificação, mas só pra ter uma idéia: foram 25.000 concluintes, desses, apenas 23.000 chegaram na minha frente. O nível da corrida é bom, pouca gente, além de mim, caminhando, e apenas 228 atletas não cruzaram a linha de chegada. Para que quiser ver, há o registro da minha corrida no site da Motorola. O frio me fez vestir diferente para essa corrida, usei calça e camiseta térmica pretas, não usei luvas, mas deveria ter usado, e a camiseta de manga longa da Treine Bem, assessoria de Florianópolis, que ganhei em um sorteio promovido no Twitter.
Pra fechar o post: corrida excelente, gratificante de ver a organização em todos os serviços, do kit às fotos. Ainda volto a Paris para fazer essa mesma corrida, mas com um condicionamento melho. Talvez até a maratona, que larga na Avenida Champs Elysée, passa por pontos turisticos, como a bastilha e a torre Eifell, tem um bom trecho às marges do Rio Sena, e passa pelos bosques de Vincennes e Boulogne, situados em pontos opostos de Paris, com chegada próxima ao Arco do Triunfo, local mais do que adequado para se terminar uma maratona.
Eu e minha familia planejamos a viagem para conhecer Paris, vi que a meia maratona aconteceria na época da viagem e encaixamos a corrida. Além de Paris, que é uma cidade belíssima, de onde saímos com vontade de ficar mais, apesar de termos sofrido bastante com o idioma; fomos também a Londres, outra bela cidade, com muita história, mais fácil, já que em inglês a gente se vira melhor. Um destaque que une essas duas grandes cidades: o transporte público, organizado e disponível em toda a cidade. O metrô, em Londres e em Paris, cobre praticamente a cidade toda, sendo muito fácil utilizá-lo. Em Londres, usar ônibus, os famosos ônibus de dois andares, é muito fácil, pois em cada ponto há informações suficientes para você decidir qual linha utilizar. Uma lição para as cidades brasileiras, pena que esteja tão distante de nossa realidade.


